Testemunhos Audiovisuais: territórios de memória, direitos e resistência histórica

Coordenação: ANDRE LUIS CARVALHO (andre.carvalho@ufop.edu.br)

Setor: DEPARTAMENTO DE JORNALISMO (DEJOR)

Resumo: Dez anos após Mariana e 7 após Brumadinho, os maiores desastres-crimes socioambientais da mineração brasileira e que, em parâmetros de extensões de vidas (humanas, animais e vegetais) e meio ambientes devastados, figuram entre os maiores da história da exploração mineral da humanidade, as comunidades atingidas seguem lutando não só por justiça e reparação, mas por "voz e vez” efetivas e determinantes nos processos de construção e visibilidade de suas próprias histórias, seus modos de vida individuais e comunitários, suas identidades duramente transformadas e a consequente atualização de suas memórias. É diante de tal problema que este projeto pretende atuar no estudo/pesquisa, desenho, planejamento, produção e implementação de espaços visíveis e acessíveis de testemunho dos atingidos e atingidas pelos crimes minerário brasileiros.
E para isso é preciso que, desde a concepção à execução e implementação, tais espaços de produção e visibilidade sejam pensados, arquitetados e construídos com a participação efetiva e definidora daqueles a quem de direito cabem suas histórias e memórias - as comunidades atingidas. Não só como personagens, mas autores, sujeitos de suas próprias narrativas e de como, onde, quando e com que conteúdo elas devem ser gravadas e publicizadas.
O que se busca para este primeiro ano do projeto é articular coletivamente, pesquisar, desenhar, estruturar e chegar aos primeiros produtos pilotos documentais para a implementação, nos anos seguintes, de uma plataforma digital gradualmente mais robusta com os testemunhos de sobreviventes e atingidos(as) pelos crimes minerários brasileiros. A partir do que propõe Walter Benjamin sobre uma "história a contrapelo", revisada, recontada  e atualizada por aqueles que, embora vítimas diretas e indiretas dos acontecimentos catastróficos, são colocados à margem do processo de construção da história.
Nesse momento iremos nos concentrar em Mariana e Ouro Preto. E em parte inspirados e instados a atuar diante do valor e relevância de outros arquivos que permitem não nos esquecermos de episódios marcantes das catástrofes modernas e contemporâneas, contadas por quem diretamente assistiu ou sobreviveu a elas. Uma das experiências mais conhecidas pelo mundo é o do Fortunoff Video Archive for Holocaust Testimonies, da Universidade de Yale - plataforma com depoimentos livres de sobreviventes e testemunhas do Holocausto, sem condução intrusiva de um entrevistador.
Assim como os demais projetos do programa de extensão TREM, é uma proposta  interdisciplinar (DEARQ e DECAD) e interinstitucional (IFMG/Ouro Preto), com característica transversal às iniciativas da universidade e do instituto federal junto a territórios atingidos. E que possui eixos articuladores importantes como: testemunho; território e patrimônio; reparação, justiça social e direitos humanos; informação e comunicação; memória; e educação e meio ambiente.
Vale destacar que os documentários em vídeo que serão produzidos  possuem uma íntima articulação com todos os projetos ora propostos. No caso do Jornalismo em Territórios Atingidos, será possível aprofundar em investigações de campo, materializar e ampliar temas que surjam das histórias narradas pelos atingidos e atingidas nos documentários. Eles serão assim potentes produtores de pautas jornalísticas. Já em relação ao TREM Digital, será por meio dele que serão construídas as estratégias comunicacionais e implementadas as plataformas onde os produtos jornalísticos e documentais produzidos ganharão visibilidade e ampliação de sua articulação com a sociedade. E, por fim, o Memórias Ressurgentes e Organizações de Atingidos se constituirá em um espaço de sistematização, produção, potenciais articulações intersetoriais e interinstitucionais, aprofundamento crítico e educativo, e ampliação do debate ético, social, acadêmico e político de toda a produção elaborada.