Conhecimento, cultura e pertencimento: a Capoeira Angola como prática formativa, política de permanência

Coordenação: MATEUS HENRIQUE DE FARIA PEREIRA (mateus.pereira@ufop.edu.br)

Setor: DEPARTAMENTO DE HISTORIA (DEHIS)

Resumo: O presente projeto de extensão propõe a ampliação e institucionalização da oferta regular de aulas de Capoeira Angola no âmbito da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), destinadas tanto a estudantes da instituição quanto a membros da comunidade externa das cidades de Ouro Preto, Mariana e região. A iniciativa parte de Ângelo de Oliveira, treinel de Capoeira Angola e doutorando em História pelo PPGHIS/UFOP, do contramestre Gabriel Cafuzo, ex-aluno da UFOP e mestre em Artes Cênicas pela instituição, e do Mestre Paulo Brasa, referência histórica da cultura popular, do movimento negro e da capoeira na Região dos Inconfidentes desde a década de 1970.

O projeto já vem sendo desenvolvido há cerca de dois anos na cidade de Mariana e agora se expande para Ouro Preto, buscando sua consolidação como ação institucional de extensão. Ao longo desse período, a experiência já produziu impactos concretos, entre eles o ingresso de participantes da comunidade externa em cursos da UFOP, como Educação Física e História, a partir do contato com o espaço formativo, com os debates e com a própria universidade.

O projeto prevê a realização de aulas em três dias da semana na sala da Pós-Graduação, no prédio da Biblioteca em Mariana, e de três a quatro dias da semana em Ouro Preto, em espaço que vem sendo organizado em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão e com a Chefia de Gabinete da Reitoria da UFOP. As atividades serão distribuídas entre os turnos da manhã e da noite, visando atender às demandas de um público diverso.

A proposta fundamenta-se na Lei 10.639/03 e na compreensão da Capoeira Angola como prática cultural, educativa, histórica e política, que articula corpo, música, memória, ancestralidade e formação ética. Busca contribuir para a permanência estudantil — especialmente de estudantes negros e de outros grupos historicamente subalternizados — por meio da criação de um espaço de acolhimento, pertencimento, fortalecimento identitário e produção de vínculos comunitários.

Além disso, a iniciativa fortalece a relação entre universidade e cidade, reconhecendo e valorizando os saberes tradicionais e a trajetória de mestres da cultura popular local, em especial a do Mestre Paulo Brasa. O projeto também se articula diretamente às pesquisas desenvolvidas por seus proponentes, que investigam a Capoeira Angola como espaço de conhecimento tanto no mestrado quanto no doutorado realizados na própria UFOP, integrando extensão, pesquisa e ensino de modo indissociável.